Obesidade : Existe tratamento?

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8 de dezembro de 2017

mid section view of a man sitting on a bench in a park --- Image by © Royalty-Free/Corbis

O combate à obesidade requer ação conjunta e visão ampliada de saúde

Humberto Dantas

14 Dezembro 2017 | 11h57

Texto de autoria de: Karla Coelho, líder MLG, diretora de Normas e Habilitação de Produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar 

A receita não é nova, tampouco desconhecida: a melhor forma de prevenir e combater o excesso de peso envolve a prática de exercícios físicos e cuidados alimentares. Mas apesar da aparente simplicidade dessa fórmula, a realidade mostra que sua aplicação prática não tem sido suficiente para deter o problema, que é apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das principais questões de saúde enfrentadas atualmente no mundo.

O excesso de peso e a obesidade se constituem no segundo fator de risco mais importante para a carga global de doenças, incluindo diabetes, enfermidades cardiovasculares e diversos tipos de câncer. Estimativas da Associação Internacional de Obesidade indicam que 1 bilhão de adultos esteja com excesso de peso no mundo e cerca de 475 milhões sejam obesos. No Brasil, a situação não é diferente. De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), mais de 50% da população brasileira adulta está acima do peso, ou seja, na faixa de sobrepeso e obesidade.

Entre os beneficiários de planos de saúde, dados inéditos do Vigitel da Saúde Suplementar mostram que, em 2016, 53,7% da população apresentaram excesso de peso e 17,7% estavam obesos. Essas taxas vêm aumentando, com uma variação média de 0,8 e 0,6 pontos percentuais ao ano, respectivamente.

Sabe-se que a obesidade é uma doença multifatorial, reincidente e muitas vezes silenciosa, e se não for prevenida e cuidada corretamente, tem um impacto devastador na vida do indivíduo, bem como na economia do País. A prevenção e o tratamento precisam de uma abordagem multiprofissional e transdisciplinar. Dessa forma, a proposta de enfrentamento do problema requer ação de diversos setores da sociedade, não apenas do setor de saúde.

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) tem estimulado os planos de saúde a repensarem a organização das suas redes de atenção, no intuito de rediscutir as formas de organização dos serviços de saúde, tendo por objetivo o monitoramento dos fatores de risco, o gerenciamento de doenças crônicas e a compressão da morbidade e diminuição dos anos de vida perdidos por incapacidades. Neste contexto, a ANS criou um grupo multidisciplinar para conduzir o Projeto de Enfrentamento do Excesso de Peso e Obesidade na Saúde Suplementar, estimulando o engajamento dos atores do setor em uma visão ampliada de saúde.

O objetivo é reunir diretrizes que apontem para a integração entre procedimentos de prevenção e cuidado, compondo uma orientação criteriosa, à qual as operadoras de planos de saúde possam se basear. A utilização de normas baseadas em evidências científicas permite que os profissionais de saúde identifiquem o risco e o caminho a ser percorrido pelo indivíduo com excesso de peso e obesidade, e seu monitoramento por meio de indicadores de acesso, da qualidade e do nível de coordenação do cuidado. Essas diretrizes ainda permitem a implementação de ações de promoção, prevenção e a realização de busca ativa para que seja feito o diagnóstico precoce; continuidade entre o diagnóstico e o tratamento; informação compartilhada e tratamento mais adequado e em tempo oportuno, para que o paciente com excesso de peso consiga seguir o percurso ideal para o cuidado.

A obesidade é resultado de uma complexa combinação de fatores biológicos, comportamentais, socioculturais, ambientais e econômicos. A proposta de enfrentamento problema, portanto, requer ação de diversos setores da sociedade e não pode ficar restrita à saúde. A estratégia deve contemplar uma abordagem ampla e focada nas necessidades do indivíduo. As recomendações para mudança nos hábitos de vida devem ser graduais e prazerosas, com um olhar voltado para o contexto socioeconômico e cultural, adaptando recomendações e estratégias de implementação customizadas. Somente assim conseguiremos melhorar a qualidade de vida e os índices de saúde da população.

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