Nutricionista

NEUSA DIAS DE MOURA - NUTRICIONISTA CRN1 - 3252

O papel Do Nutricionista no Pré e Pós Operatório de Cirurgia BYPASS

A obesidade é caracterizada como uma doença crônica não transmissível, e se define como acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo de um indivíduo, derivado de um desequilíbrio crônico entre a energia ingerida e a energia gasta. Neste desequilíbrio podem estar envolvidos diversos fatores relacionados com o estilo de vida (dieta e atividade física), alterações neuro-endócrinas e juntamente com um componente hereditário.

Sua prevalência vem crescendo assustadoramente nos últimos anos, o que levou a doença à condição de epidemia global, sendo considerada um dos mais graves problemas de saúde pública na sociedade moderna.

No entanto devido à busca de uma intervenção mais eficaz no tratamento da obesidade mórbida, a prática das operações bariátricas, como BYPASS, vem aumentando cada vez mais e é aceita atualmente como a ferramenta mais eficaz no controle e tratamento da obesidade mórbida.




A indicação cirúrgica baseia - se em análise abrangente de múltiplos aspectos clínicos do paciente, entre eles, as comorbidades associadas, sendo que a intervenção cirúrgica BYPASS para obesidade, justifica-se somente quando o risco de permanecer obeso exceder os riscos, a curto e longo prazo, da cirurgia bariátrica.

Os critérios para a seleção do paciente incluem: índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 40kg/m² ou acima de 35kg/m² associado a patologias que possam ser reduzidas com a perda de peso (Cruz e Morimoto 2004).

O procedimento cirúrgico BYPASS para o tratamento da obesidade, não se resume apenas ao ato cirúrgico, mas em outros diversos fatores, entre eles as limitações de ingesta e absorção de nutrientes que podem levar o paciente a desenvolver deficiências nutricionais, comprometendo os resultados da cirurgia. Por isso para se obter bons resultados, é necessário o acompanhamento frequente pela nutricionista, garantindo uma perda de peso adequada, dentro dos padrões de saúde sem afetar o equilíbrio nutricional.


TRATAMENTO NUTRICIONAL DEVE SER INICIADO:

PRÉ OPERATÓRIO DE BYPASS

No pré-operatório inicia - se a reestruturação alimentar e o preparo do paciente para a cirurgia. É realizada a Avaliação Nutricional de forma detalhada através de uma anamnese completa: clínica e alimentar, incluindo aspectos nutricionais comportamentais, qualitativos e quantitativos (Recordatório Alimentar de 24 horas e frequência alimentar das refeições), antropometria com aferição da circunferência da cintura, altura e peso corporal, avaliação da composição corporal através da bioimpedância, avaliação bioquímica e o exame físico.

Após avaliação nutricional é possível identificar e tratar possíveis distúrbios nutricionais e fatores que possam interferir na adesão da dieta proposta, otimizando o estado de saúde do paciente e reduzindo os riscos de infecção e complicação durante e após cirurgia.

Durante o pré-operatório é realizado um plano dietético, com ingestão de uma dieta hipocalórica, baixa carga glicêmica e hiperproteica com objetivo de promover uma perda de peso adequada, redução da gordura intra-hepática e visceral e minimizar alguns sinais e sintomas de algumas doenças associadas à obesidade como hipertensão arterial sistêmica, Diabetes Melitus e outros, reduzindo as chances de complicações cirúrgicas.




A Suplementação nutricional com imunomoduladores deve ser iniciada (07 dias antes do procedimento cirúrgico) para prevenir e/ou corrigir os desequilíbrios nutricionais, estimular as defesas do organismo, evitar as infecções e melhorar a cicatrização.

O paciente também receberá informação da dieta a ser seguida no pós-operatório, instituindo por alguns dias um exercício de atenção à mastigação, ausência de líquidos nas refeições e o fracionamento das mesmas.

A orientação nutricional envolve não apenas o plano alimentar, mas também as informações relativas à seleção dos ingredientes, tipo de preparo e cozimento, receitas e como atingir a consistência ideal para cada fase. Apesar de restrita, a alimentação deve ser prazerosa, diversificada e readaptada ao longo do tempo para fornecer todos os nutrientes necessários sempre considerando as preferências alimentares e até mesmo os aspectos culturais de cada paciente.


PÓS OPERATÓRIO DE BYPASS

Acompanhamento no pós-operatório é importante para o conhecimento dos sinais e sintomas relacionados com a técnica cirúrgica BYPASS e da conduta nutricional adequada para prevenir as carências nutricionais decorrentes do procedimento cirúrgico.

O pós - operatório envolve um planejamento alimentar, acrescido de suplementação, com evolução gradativa do volume e consistência da dieta. Salienta-se a necessidade de atenção constante quanto à mastigação até que o alimento se torne pastoso na boca, à importância de não consumir maior quantidade de alimentos do que a recomendada e de uma boa hidratação, alertando sobre a vigilância quanto à ingestão de líquidos.

Fases da Evolução do Plano Dietético - BYPASS

1ª Fase: 1ºPO ao 4ºPO: Dieta Líquida restrita + Suplementação

Repouso Gástrico e Intestinal - Processo de Adaptação, importante para a cicatrização e integridade das anastomoses e suturas gastrointestinais.




2ª Fase: 5°PO ao 15°PO: Dieta Líquida Pastosa de Baixo Resíduo + Suplementação.

Utiliza preparações de consistência líquida engrossada (liquidificadas) e abrandada por cocção, de fácil mastigação, deglutição e digestão, isenta de lactose e sacarose, proporcionando uma pequena quantidade de resíduos intestinais.

3ª Fase: 16°PO ao 26°PO: Pastoso Baixo Resíduo + Suplementação.

Dieta de consistência macia abrandada por cocção e subdivisão, alimentos moídos, amassados, desfiados, em forma de purês e papas, exigindo pouca mastigação, facilitando a deglutição e digestão. Deve ser evitados alimentos em pedaços, irritantes, endurecidos, fibrosos, fermentativos, em conserva, defumados, condimentos picantes e alimentos que contenham lactose e sacarose (açúcar)

4ª Fase: 27°PO ao 45°PO: Branda + Suplementação.

Dieta com alimentos de consistência macia, abrandados por cocção ou subdivisão, facilitando a mastigação, deglutição e digestão. Devem ser evitada lactose, sacarose, gorduras, irritantes, fibrosos, fermentativos, em conserva, defumados, assim como condimentos picantes.

REFERÊNCIAS

1. CRUZ, Magda Rosa Ramos da. MORIMOTO, Ivone Mayumi Ikeda. Intervenção Nutricional no Tratamento Cirúrgico da Obesidade Mórbida: resultados de um protocolo diferenciado. Revista de Nutrição. 2004, v.17, n.2, pp. 263-272.

2. COSTA, Dayane da. Eficiência do Acompanhamento Nutricional no pré e pós operatório da cirurgia bariátrica. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo v.7, n.39, p.57-68, maio/jun. 2013

3. VALENÇA, Marlene Carvalho Teixeira; BONAZZI, Christiane Lima; BONONI, Tatiana Cristina Sales et al. A Intervenção Nutricional no Pré e Pós Operatório da Cirurgia Bariátrica. Revista Brasileira de Obesidade, Nutrição e Emagrecimento, São Paulo v.1, n. 5, p. 59-69, set/out. 2007.

4. Buchwald, H.; Williams, S.E. Bariatric surgery worldwide. Obesity Surgery. Vol. 14. Núm. 9. 2004. p. 1157-1164.

5. 1-American Society for Bariatric Surgery. The story for Surgery for Obesity. [Acesso em Julho de 2012]. Disponível em: http: //www.asbs.org/html/patients/story.html

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